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TPM # 81 / Outubro 2008

O aspirador mais caro do mundo

Sabia que existe um aspirador de pó de R$ 6 mil que muitas mulheres estão comprando?

17.10.2008 | Texto Nina Lemos

Fotos Marcelo Naddeo

 Um aparelho de R$ 6 mil que promete acabar com os ácaros da sua casa é a nova mania entre as mulheres bem de vida. Nossa repórter recebeu os representantes do Rainbow em seu cafofo e percebeu que mora em um lugar imundo – e em um país maluco, onde mais de R$ 1 milhão são gastos por mês só com aspiradores turbinados.
“Sabia que existe um aspirador de pó que custa R$ 6 mil e um monte de mulher está com­pran­do?” Quem contou a novidade foi a amiga Isabelle Dou­­dou, editora de estilo da Tpm. “Nina, é uma lou­cura, os vendedores vão nas casas das pessoas e fa­zem uma demonstração tão convincente que todo mun­do compra!”

Isabelle tem razão. Foi só apurar os ouvidos para co­meçar a ouvir notícias de endinheirados que ha­viam comprado o tal aspirador milionário. Seis mil ­re­ais. É sério. “Mas como as pessoa­­­­­s podem gastar tanto dinheiro com um aspirador de pó?” Boa per­gun­ta. E adianto que fui fazer o test drive, que no caso con­sis­tiu em receber os vendedores na minha casa, pa­ra ten­tar decifrar esse enigma, mas não consegui. Talvez porque o meu lado comunista nunca vá achar normal pagar essa dinheirama por um aspirador de pó em um país onde as pessoas etc. etc. etc. OK. Pou­pa­rei todos de meu surto marxista.

Lar, sujo lar
E vamos explicar as coisas direito. Na verdade, não é um aspirador de pó, é um Rainbow, uma espécie de mistura de vaporizador com aspirador que mostra que a sua casa é suja. Na realidade, imunda.

Os dois demonstradores invadiram minha re­si­dên­­cia usando ternos, muito chiques. E pas­­sa­ram cerca de uma hora fazendo uma de­mons­tra­ção do produto. A primeira coisa que eu fiz, cla­ro, foi per­­guntar o preço, já que sou daquelas que olham a eti­­queta antes de apreciar o modelo em uma loja. “Is­so a gente só diz no final”, disse Luis P­rieto, que contou também que existem cerca de 40 ven­de­do­­­res de Rain­bow no Brasil, que vendem, no total, cer­ca de 200 apa­relhos por mês. Faça as con­tas. Sim, R$ 1,2 milhão são gastos em Rainbow por mês no nosso país.

Pra quem tem TOC
“Mas o caro é não ter Rainbow”, mandou o ven­de­­dor, durante a demonstração do pro­du­to. Ele coloca o aparelho para funcionar no ar e pro­va que a minha casa é poluída. Moro em São Paulo e já sabia disso, mas ver poeiras voando no seu lar não é das vi­sões mais agradáveis. Depois, pas­sa o apa­re­lho no chão. A casa tinha ACABADO de ser limpa. Era dia de fa­xina! E a água que fica no su­porte do Rain­bow (toda a sujeira vai parar nessa á­gua) começou a ficar turva. Depois que o aparelho ha­via sido pas­sa­do na parede (!) e, ponto alto, no meu travesseiro, on­de eu durmo to­das as noites, o tal líquido deixou de ser á­gua e co­meçou a parecer aquilo que existe no rio Tietê.

Aos poucos, fui descobrindo por que as pessoas com­pram Rainbow. Porque elas realmente se as­sus­tam ao ver que suas casas imaculadas, na verdade, são plásticos boiando em cima do Tietê de tão po­luídos e sujos.

Só que eu já sabia disso, repito. O mundo não é um lugar limpinho, muito pelo contrário. E por que a minha casa seria? Tá, não sou boa dona de casa, de­­­­vo contar. Mas a verdade é que achei o Rainbow per­feito para as Monicas Geller da cidade (a per­so­na­gem com TOC de Friends). Como desse mal eu não sofro, ­a­gra­deci aos vendedores por deixarem minha casa lim­pinha por uma noite, retruquei com firmeza a pro­pos­ta de dividir seis paus em dez vezes e, de­pois que eles foram embora, abri as janelas para dei­xar a su­jeira entrar de novo.